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Ansiedade

Eu não consigo…Estou a horas da maior partida de tênis da minha vida, contra Federer, com uma chance de obter o meu melhor resultado até hoje… […] E eu não consigo. É início da tarde, estou no carro, no caminho para a quadra. E eu estou tendo um ataque de ansiedade.” Palavras de MARDY FISH. Ele foi o sétimo melhor tenista do Mundo e abandonou o esporte por causa da ansiedade.

De acordo com dados divulgados em 2017 pela Organização Mundial de Saúde, o Brasil tem a maior taxa de transtorno de ansiedade do planeta. Segundo o relatório, 18,6 milhões de brasileiros, ou 9,3 % da população do País, viviam com algum transtorno de ansiedade. Além de fatores genéticos, situações como instabilidade econômica, níveis de pobreza, violência, desigualdade, desemprego e recessão são pontos a serem considerados, segundo especialistas, para justificar a alta taxa de transtornos de ansiedade no Brasil. Segundo a Previdência Social, os transtornos mentais já são a terceira razão de afastamentos do trabalho no Brasil, sendo que os gastos do INSS giram em torno de R$ 200 milhões em pagamentos de benefícios anuais. A ansiedade, assim como a depressão, são os males que mais afetam as pessoas.

Entre os sintomas psicológicos da ansiedade estão preocupação excessiva e desproporcional, pensamentos negativos recorrentes e sensação constante de desconfiança; entre os físicos, inclui-se dor ou aperto no peito, palpitação, falta de ar, sensação de desmaio ou tontura, dor abdominal (podendo culminar com diarreia), roer unhas, falar muito rápido e tensão muscular.

De acordo com o Dr. Robert Leahy em seu livro Livre da ansiedade há seis tipos de transtornos de ansiedade: (1) Fobia específica; (2) Transtorno de pânico; (3) Transtorno obsessivo compulsivo; (4) Transtorno de ansiedade generalizada; (5) Transtorno de ansiedade social; (6) transtorno de estresse pós-traumático.[1]

Para a psicologia e a psiquiatria a ansiedade vem (a) de nossa história evolutiva, e (b) do Mal adquirido pelo estilo de vida.[2] As sugestões mais populares para lidar com a ansiedade são: (1) Leve uma vida mais criativa; (2) Faça uma pausa e respire; (3) Abandone o controle; (4) Faça uma coisa de cada vez; (5) Veja o copo meio cheio; (6) Foque no aqui e agora; (7) Ansiolíticos (drogas). As terapias mais comuns são medicamentos, aconselhamento psicológico, psicanálise, Terapia Cognitiva-Comportamental e Hipnose.

A Terapia Cognitiva Comportamental aplica o seguinte tratamento:[3]

1.Identifique seus medos

2. Identifique seus comportamentos de segurança

3. Construa sua motivação para a mudança

4. Construa sua hierarquia do medo

5. Avalie a racionalidade do seu medo

6. Faça uma autoimagem de seu medo

7. Comprometa-se com uma estratégia de longo prazo

Qual o tratamento que Jesus deu à ansiedade e qual a sua receita para vencermos as nossas ansiedades?

Jesus levou a ansiedade a sério: Ele falou três vezes no evangelho de Mateus 6: “Não andem ansiosos”, “Não estejam preocupados”, “Não fiquem inquietos”. Nas Escrituras, “andar ansioso” significa “ser atraído para direções diferentes”. A ansiedade nos divide, nos desintegra. A preocupação excessiva com os cuidados deste mundo tem roubado o principal objetivo da vida: amar a Deus acima de todas as coisas. Ao olharmos tanto para as coisas terrenas acabamos esquecendo de Deus.

É correto fazer uma provisão cuidadosa para o futuro; mas a fadiga excessiva, a preocupação desgastante, a ansiedade que atormenta – tudo isso vai nos matar. Por isso, não devemos estar demasiadamente aflitos.

Jesus deseja criar em seus discípulos uma mudança de perspectiva. Ele apela para os sentidos e o bom senso. “Olhem para as flores!”, “Olhem para as aves!”. Deus as sustenta. Não sustentará a nós? Não temos mais valor? Não somos apenas grãos de poeira (Salmo 8), mas carregamos a imagem do Criador, por isso temos o nosso valor. Deus cuida da sua criação e muito mais daquele que expressa a sua imagem e semelhança porque ele é bom.

A ansiedade nada acrescenta, pelo contrário, subtrai. Ninguém consegue acrescentar “um dia a mais em sua vida” por causa da ansiedade. Os milionários podem comprar todo o alimento e a bebida que quiserem, mas não podem prolongar a sua vida. É Deus quem decide quando ela começa e quando ela termina.

A ansiedade em vez de nos ajudar a viver mais, ela apenas encurta a vida (6.27). É por isso que Jesus disse que “basta a cada dia o seu mal” (6.34), pois a preocupação com o amanhã não ajuda nem o dia de hoje nem o dia de amanhã. A ansiedade é como uma cadeira de balanço, nos movimenta e nos agita, mas não saímos do lugar. É correto planejar e até mesmo economizar para o futuro (2 Co 12.14; 1 Tm 5.8), mas é um grande erro preocupar-se com o futuro e permitir que o amanhã nos prive das bênçãos de hoje.

Considerando que a ansiedade causa insônia, as palavras do salmista são oportunas: “Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento. O Senhor concede o sono àqueles a quem ama.” (Sl 127.1). Charles Spurgeon comentou: “Aqueles que, sem confiar em Deus, atribuem todas as coisas ao seu próprio esforço, não dormem bem; pois verdadeiramente “levantam de madrugada, e repousam tarde… Os servos de Deus, enquanto estão no deserto e nos bosques deste mundo, dormem em segurança, e nem os demônios nem os animais selvagens podem lhes fazer mal […]. “Assim dá ele aos seus amados o sono” pode ser interpretado em paralelo ao que está em Isaías: “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti, porque ele confia em ti.” (Is 26.3).[4]

Viver excessivamente preocupado com a vida é atitude de gente que não conhece a Deus (6.32). Gente que vive em função “dessas coisas”, faz delas o centro de suas vidas. Gente que acha que estamos sozinhos neste mundo, tudo é aleatório, não há providência, tudo é fortuito e por acaso, para essa gente não há um provedor, você está por conta própria. Essa gente que pensa que a vida é um fatalismo, o que será, será, o que tiver de acontecer, acontecerá. Para essa gente, o destino impessoal determina tudo. Não há ninguém no controle, o piloto sumiu. Jesus diz que devemos crer que o Pai que criou também sustenta toda a sua criação e suprirá todas as nossas necessidades.

“Busquem primeiro o reino de Deus e a sua justiça”. Devemos fixar os nossos pensamentos nas coisas do Alto. Em um jantar na casa de Marta, Maria e Lázaro, (Lc 10. 38-42), o Senhor ensinou sobre priorizar o reino de Deus e buscar a sua face. Marta estava inquieta e cansada com os afazeres do jantar, e aborreceu-se com Maria que estava sentada aos pés de Jesus, e pediu ao Senhor que mandasse Maria ajudá-la na cozinha. O Senhor disse que uma bastava e que Maria tinha escolhido a melhor parte. Não que haja algo errado em se preocupar com o jantar, mas que os assuntos relacionados à alma, nosso relacionamento com Deus deve ser a nossa primeira preocupação.

Buscar a Deus em primeiro lugar é colocar todas as preocupações da vida em adoração, súplica e gratidão diante de Deus e, então, experimentar a  Sua paz (Fp 6.6-7). Jesus prometeu que todas as outras coisas seriam acrescentadas quando colocássemos Deus e o nosso relacionamento com ele em primeiro lugar. Há uma perfeita ilustração disso em Salomão. Salomão não orou solicitando riquezas materiais ou prolongamento da sua vida; porém, orou pedindo sabedoria do alto. E Deus como que lhe disse: “Visto que você não orou pedindo essas outras coisas, eu lhe concederei sabedoria, e também lhe darei riquezas e vida longa como uma bênção excedente” (1 Rs 3.11-13).

Há um poema anônimo que ironiza a falta de confiança dos filhos de Deus em seu Pai celestial:

Disse a flor silvestre ao pardal: – “Eu gostaria de saber realmente por que esses seres humanos ansiosos? Correm para lá e pra cá e se preocupam assim.” Disse o pardal flor silvestre: – “Amiga, creio que deve ser porque eles não têm um Pai Celestial Como aquele que cuida de mim e de você”.

Assim, nessa passagem bíblica encontramos três palavras que mostram o caminho para enfrentarmos a ansiedade, toda vez que ela se apresentar: (1) – a confiança de que Deus suprirá nossas necessidades; (2) Pai  – saber que ele se preocupa com seus filhos, e (3)primeiro – colocar a vontade de Deus em primeiro lugar em nossa vida a fim de glorificá-lo. Se tivermos fé em nosso Pai e o colocarmos em primeiro plano, ele suprirá nossas necessidades.

GLEIDSON DA SILVA COSTA. Mestrando em Teologia pelo Centro
Presbiteriano de Pós Graduação Andrew Jumper-Mackenzie (CPAJ),
Especializado em Coaching Executivo e Pessoal pelo Instituto de Coaching
Integrado de São Paulo (ICI), autor de Escola de Líderes, O líder que
as pessoas seguem, Escola de Discipuladores e colaborador no Devocional
Dia a Dia com Deus, pastor da 1ª Igreja Presbiteriana Renovada de
Cuiabá-MT.


[1] Robert L. Leahy, Livre da Ansiedade, p.16. Editora Artmed, 2010.

[2] Idem, p.73.

[3] Idem, p.75.

[4] Charles Spurgeon, Os tesouros de Davi,
Vol.3. CPAD.

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