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Mais que vencedores!

MAIS QUE VENCEDORES – ROMANOS 8.28-39

Em sua Segunda epístola aos Coríntios, Paulo descreve os muitos sofrimentos de sua vida: “Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites. Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar. Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigos dos gentios; perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, e perigos dos falsos irmãos. Trabalhei arduamente; muitas vezes fiquei sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em jejum; suportei frio e nudez.” (2 Co 11:24-27). Como alguém que passou por tudo isso pode se declarar mais que vencedor? É preciso ver na perspectiva de Paulo revelada por Deus nas Escrituras.

O BOM, O RUIM, OS FRACASSOS

Paulo diz que o Espírito Santo nos socorre quando não sabemos como orar. Mas mesmo nessas ocasiões em que as palavras nos fogem, existe algo, diz Paulo, de que o cristão poder ter certeza: “Deus faz com que todas as coisas concorram para o bem daqueles que o amam” (Rm 8.28). Temos uma promessa que transforma o modo de encararmos o que a vida tem de bom, de ruim e os seus fracassos.

Veja que Paulo não disse que as “coisas” operam por si mesmas para o bem, mas que Deus faz as “coisas” contribuírem para o nosso bem. José experimentou isso. Ele disse aos seus irmãos que lhe fizeram mal: “Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos” (Gn 50.20). Os cristãos não creem que o mundo seja um lugar agradável ou que a vida será feliz por si só. Quando as coisas dão certo, os cristãos nunca dizem: “Claro – é assim mesmo que deveria ser!”. Antes louvam a Deus por isso. Portanto, conseguem manter uma visão positiva da vida sem adotar uma visão adocicada e fantasiosa da vida.

Assim, se Deus opera em “…todas as coisas…”, então esta verdade afasta o medo e a ansiedade quando “tudo dá errado” na vida. Para o cristão não existe acaso. “A sorte se lança no colo, mas do Senhor procede toda a decisão” (Pv 16.33). Deus está operando inclusive na moeda que é lançada para o alto.

Não estamos no mundo do acaso e do destino. Os gregos pensavam que até Zeus estava sujeito ao destino. Nós não. O universo não é um mecanismo governado pelo acaso; ele é governado por uma pessoa – e não uma pessoa qualquer, mas nosso Pai celestial. Não precisamos ter medo da vida e das circunstâncias.

TUDO PARA O BEM, MAS NÃO PARA TODOS

Deus faz com que todas as coisas concorram para o bem “daqueles que o amam e que são chamados segundo o seu propósito”. (1) “Aqueles que o amam” se refere às pessoas que assumiram um compromisso de viver para Deus. Esse compromisso significa servir a Deus em reconhecimento de quem ele é. Se você ama a Deus por quem ele é, assume um compromisso e suporta a dificuldade. Mas, se está usando Deus pelo que ele lhe dá, você pula fora quando chega o sofrimento. (2) “Aqueles que são chamados segundo o seu propósito” refere-se a todos que ouviram o desafio do evangelho e o aceitaram, e por isso Deus os trouxe ao relacionamento pessoal com ele.

É tendência para aqueles que vivem uma vida “fora de Deus” (sem um relacionamento pessoal com ele) enxergar que as “coisas boas da vida” lhe acontecem por mérito pessoal. No entanto, para o cristão, Paulo está dizendo que tanto as coisas boas da nossa vida quanto as ruins têm um bom efeito sobre nós somente por causa de como Deus as governa e usa em nossa vida.

O BEM QUE DEUS ESTÁ OPERANDO

Mas em que consiste esse “…bem…” que Deus está operando? O que podemos esperar confiantemente ver Deus fazer em “…todas as coisas”. O “bem” que Paulo afirma é que tudo que acontece conosco está cooperando para a nossa santificação e salvação definitivas. Tudo colabora a fim de que sejamos “…conformes à imagem de seu Filho… (v.29).

Assim, o “bem” que Deus está sempre operando em nosso favor é a transformação do caráter. Ele está nos fazendo tão amorosos, nobres, verdadeiros, sábios, fortes, bons, alegres e gentis quanto Jesus. Seremos seus “irmãos” (v.29). Não fomos apenas adotados legalmente na família de Deus (Rm 8.15); também estamos recebendo sua “semelhança familiar”. Ao nascermos de novo, recebemos de Deus, seu “DNA” – somos “participantes da natureza divina…” (2Pe 1.4). Por meio das circunstâncias da vida, Deus está moldando-nos em irmãos e irmãs de Cristo, que se assemelha a ele e a nosso Pai (Hb 2.10-12).

Em Romanos 8.30, Paulo expõe o processo pelo qual Deus conforma seus filhos à semelhança do Filho. Ele relaciona cinco verbos ativos que descrevem o que Deus tem feito: “E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou.” O que isto representa para a nossa vida hoje? Depois que ouvimos o chamado do evangelho e cremos em Jesus, fomos justificados. Antes da Criação, Deus nos amou e nos predestinou. Somos o povo chamado, o povo amado de antemão, predestinados, justificados e prestes a ser glorificado. Isso é maravilhoso.

O QUE DIREMOS EM RESPOSTA?

“Portanto, que poderemos dizer diante dessas coisas?…, Paulo pergunta (v.31). Paulo faz cinco perguntas: (1) Se Deus é por nós quem será contra nós? Se o Deus que planejou nossa glória é todo-poderoso, por que temos medo de qualquer oposição? (2) Se Deus não poupou seu próprio filho, como não nos dará com ele todas as coisas? Se o Deus que planejou nossa glória está disposto a abrir mão de seu bem mais precioso, o Filho, por que nos preocuparmos com nossas necessidades? (3) Quem nos acusará? Se o Deus que planejou nossa glória declarou-nos justos, por que nos sentirmos culpados ou não perdoados? (4) Quem nos condenará? Se o Cristo que levou uma vida perfeita e teve uma morte perfeita está diante do Pai em nosso favor, por que nos sentirmos culpados ou não perdoados? (5) Quem nos separará do amor de Cristo? Essa é a última pergunta porque todas as outras são na verdade apenas versões diferentes dessa. A única coisa que devemos temer de fato, que nos faria mal de verdade, é sermos separados do amor de Cristo. Como nada nos separará do amor de Cristo, então nada devemos temer!

O propósito das perguntas é quase arrancar-nos a tapa da nossa descrença de que somos salvos inteiramente pela graça e, portanto, estamos completamente salvos para enfrentar a vida sem medo. Paulo está dizendo: “Pense! Você está com medo (8.31)? É porque não está pensando direito! Está preocupado (v.32)? Não está pensando direito! Sente-se culpado (v.33)? Não está pensado direito! Então, PENSE DIREITO e viva pelas verdades do evangelho.

No século 19, um dos ataques mais cínicos jamais escrito contra o cristianismo veio da caneta de Friedrich Nietzsche. Ele declarou a morte de Deus. Para ele, Deus morreu de compaixão. Ele não podia suportar que o cristianismo exaltasse virtudes como a misericórdia, o amor e a compaixão. Nietzsche afirmou que o que mais define a humanidade é o desejo de poder. Todo ser-humano tem um desejo de dominar, conquistar e subir ao topo.

Nietzsche conclamou uma nova humanidade, o raiar de um novo super-homem, o Ubermensch. A principal característica do super-homem é a de conquistador. Ele é o homem que pilota o navio por águas desconhecidas, que pega o touro pelos chifres. Não se curvará à oposição nem mostrará medo diante do poder da natureza, tal como o vulcão. Ele é desafiador até o fim. Ele é o super-homem diferente dos cristãos fracos e dignos de pena que oferecem a outra face.

Sempre penso em Nietzsche quando leio as palavras de Paulo sobre os cristãos serem mais que vencedores na perseguição, na tribulação, no perigo e na espada e sermos considerados como ovelha para o matadouro. A palavra que Paulo usa para “conquistadores” vem do termo grego hupernikaõ. Somos hiperconquistadores. Em todas estas coisas somos Super-homens por meio daquele que nos amou (JESUS).

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